
GARY GEDDES
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Gary Geddes tradução paulo da costa Poderias
tê-la encontrado num sábado à noite a
talhar círculos exactos, da esquerda para a direita, no rinque de
patinagem Moon-Glo,
ou a caminhar apressada entre
a cidade universitária e uma casa verde de dois andares, onde o
quarto estava sempre arrumado, a cama feita, os
livros a confraternizar nas estantes. Ela não
arremessou pedras, licenciatura em filosofia ou
incendiou edifícios, muito embora pessoas que a conheciam afirmarem que
ela detestava guerra, tinha ouvido falar do Camboja. Na
verdade ela pintava-se pouco, usava soutien, e
poderia, sem dúvida, mais facilmente ter casado com um dos guardas do que
amaldiçoá-lo ou colocar-lhe uma flor no cano da espingarda. Enquanto
os depósitos de arsenais de armas ardiam ela estudava, debruçada
sobre apontamentos, livros sobre terapia linguística, páginas abertas
nos capítulos sobre debilitações, fisiologia. E
enquanto estudantes se congregavam e gritavam protestos nos espaços públicos ela
ajudava um rapaz de pronúncia ceceada chamado Billy, dizendo Sibila,
Billy, como uma cobra. Isso mesmo, SSSSSSSS, a língua
bem erguida e por trás dos dentes. Agora
zumbe, Billy, como uma abelha. Sentes o ar a
vibrar na minha corda vocal quando respiro? Quando
ela atravessava o parque de estacionamento sob o sol do
meio-dia, sentindo o mundo um lugar efémero e encantador, um
jovem guarda, de olho nela, ajoelhava-se
como se fosse propor. A sua
declaração, sem equívocos, fluente, floresceu
dentro dela, atravessou-lhe o pescoço, cortou-lhe
a traqueia, roubando-lhe o ar. Agora
quem vai queimar as pestanas ao lado do Billy, assegurar
a liberdade ténue do seu discurso? E quem
a verá patinar no rinque de patinagem do
Moon-Glo, as oito pequenas rodas de madeira em inúmeras
revoluções pelo soalho? |
Sandra
Lee Scheuer Gary
Geddes (Killed at by cutting precise circles, clockwise, at the Moon-Glo Roller Rink, or walking with a quick step between the campus and the green two-story house, where the room was always tidy, the bed made, the books in confraternity on the shelves. She did not throw stones, major in philosophy or set the fire to buildings, though acquaintances say she hated war, had heard of In truth she wore a modicum of makeup, a brassiere, and could, no doubt, more easily have married a guardsmen than cursed or put a flower in his rifle barrel. While the armouries burned she studied, bent low over notes, speech therapy books, pages open at sections on impairment, physiology. And while they milled and shouted on the commons she helped a boy named Billy with his lisp, saying Hiss, Billy, like a snake. That's it, SSSSSSSSS, tongue well up and back behind your teeth. Now buzz, Billy, like a bee. Feel the air vibrating in my windpipe as I breathe? As she walked in sunlight through the parking lot at noon, feeling the world a passing lovely place, the young guardsman, who had his sights on her, was going down on one knee as if he might propose. His declaration, unmistakable, articulate, flowered within her, passed through her neck, severed her trachea, taking her breath away. Now who will burn the midnight oil for Billy, ensure the perilous freedom of his speech? And who will see her skating at the Moon-Glow Roller Rink, the eight small wooden wheels making their countless revolutions on the floor?
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©paulodacosta