efêmero paulo da costa (tradução de Mauro Faccioni Filho, Brasil) passo a passo cavo vales sob cada pisada a formiga escala montanhas de areia recém erguidas esta é a força a moldar o mundo cada pernada, junto da areia molhada vai mais fundo, dura o mais breve momento como uma onda estende sua língua acariciando a praia e pegadas deixam-me como se eu nunca tivesse caminhado aqui |
paulo da costa (tradução de Mauro Faccioni Filho, Brasil)
O inverno é longo a caça um velho hábito o inverno retornará a caça nunca termina O perfume do sangue suspenso no ar atração magnética e a retração da lua na mente de um amante a última linha jamais escrita |
paulo da costa (tradução de Mauro Faccioni Filho, Brasil) gota a gota uma garoa surge leve, quase amável, sufocante céu, o ruído de um homem ou uma mulher lutando querendo ir pro sul ali bem perto de uma miragem do deserto mas não há lugar na terra em que lágrimas não estatelem-se pelo chão é a gravidade habitual até as tempestades brotam tênues de si mesmas e fúria é um vento sem uma pipa |
©paulodacosta2000
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